cristão e advogado
Entrevistas

Ser cristão e um advogado: é possível?

Não é fácil conciliar. A profissão de advogado é muito traiçoeira, pois há um conceito errôneo na sociedade de que todo advogado é malandro. Por esse motivo, todos os dias, e em todos os momentos, somos confrontados enquanto cristãos e advogados no exercício de nossa profissão.

Alguns pensam, de forma preconceituosa, que advocacia e cristianismo não podem andar juntos e que, ao procurarmos um advogado, estamos em busca de auxílio para burlar a lei.

Nosso entrevistado é o advogado Levy Rafael Alves Cornélio, 33 anos, pai de dois filhos, casado há 10 anos, presbítero na Igreja Batista Renascer desde 2008, atuante desde 2009 na área jurídica.

Além de ser pré-candidato a vereador da cidade de Goiânia, Levy Rafael representa o segmento evangélico no CEPAZ (Comitê Estadual de Pacificação Social), e é Membro da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB – Goiás.  Sua formação acadêmica engloba o Direito Público, Imobiliário e Condominial (Especialização) e MBA em Gestão Empresarial.  Leia a entrevista:

  • Em Provérbios 21:21, diz que: “O que segue a justiça e a beneficência achará a vida, a justiça e a honra. Como conciliar as exigências da profissão de advogado com os princípios bíblicos?

Como advogado tenho o dever de manter os meus princípios, os quais eu não negocio. Há situações em que você é confrontado à favorecer alguém, a montar documentos, etc.

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Advogado Levy Rafael Alves Cornélio durante a entrevista.

Atualmente, por exemplo, sou advogado de uma dos maiores falsários de carteiras de motorista do Brasil. Quem me contratou foi a sua esposa, mas quando assumi a sua causa, em 2009, deixei bem claro para eles que em momento algum eu compraria, negociaria ou burlaria a lei e os meus princípios éticos e cristãos.

Enquanto advogado, sou confrontado, no entanto a minha base está na minha fé e na igreja. Se eu não tenho uma base cristã sólida, ou não tenho exemplo em meus pastores de princípios, há uma tendência muito grande em tentar negociar tudo isso.

Portanto, em minha opinião, a igreja tem um papel fundamental para sedimentar os princípios cristãos, seja na advocacia ou em qualquer outra profissão.

Na área jurídica esses princípios são mais latentes, pois lidamos a todo tempo, com interesses das pessoas. Precisamos ter os princípios cristãos sedimentados e sólidos, para que possamos cumprir com o que a Palavra de Deus nos ensina.

O que é mais difícil para um cristão no exercício da advocacia?

O mais difícil para um cristão, no exercício da advocacia é não mentir e ser sempre transparente. Advogado tem que saber contar histórias, mas precisa narrar fotos reais, sem mentir. Quem trabalha comigo, já sabe como funciona, não há o “jeitinho”. Eu não minto em minhas petições. Sou sempre muito reto com os meus clientes. Procuro mostrar como a lei diz para cada tipo de erro, deixando o meu cliente sempre ciente de suas responsabilidades.

 No exercício de seu ministério, o advogado vê-se envolvido em sérios dilemas éticos a todo momento, como por exemplo, quando uma mentira pode satisfazer as pretensões de seu cliente. Questiona-se: como deve o advogado cristão proceder em tal circunstância?

Eu me pauto sempre naquela palavra que diz: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Mateus 5:37).

Portanto, ao longo desses anos de advocacia, aprendi que o certo sempre será o certo, e o errado será sempre errado. Dessa forma, em minha opinião, o único jeito de lidar com essa situação é sendo transparente consigo mesmo.

Todas as vezes que um cliente abordar ou questionar algo, temos que ter sempre a certeza da transparência e da justiça. Se algo não der certo, isso tem que ser falado, claramente, como por exemplo, dizendo: “eu não vou mentir para te defender”.

Pode ter certeza, que Deus honra o justo, e mesmo sem mentir, o Senhor concede vitória em um processo.

Tenho a advocacia como o meu sacerdócio. Muito mais do que um dinheiro ou um processo, o que está em jogo é a minha fé, pois antes de ser advogado, eu sou filho de Deus e presbítero na igreja. Portanto, preciso ser exemplo.

Há alguma especialidade do Direito a qual o advogado crente teria mais facilidade em relação a aplicação do Evangelho?

Em todas as áreas do Direito há possibilidade de fazer coisa errada, caso queira, mas o Direito Tributário e o Direito de Família há mais objetividade da Lei, e portanto há maior possibilidade de aplicação do Evangelho.

Qual o principal trabalho desenvolvido pela OAB?

A OAB hoje é um órgão de extrema importância para a sociedade. Ela é um entidade classista, sendo a única amparada constitucionalmente.

Além disso, o principal papel da OAB hoje, é ser formadora de opinião sobre vários temas e assuntos polêmicos, como por exemplo: impeachment, cobrança de impostos, direito de família, ideologia de gênero, estado laico, etc.

Por isso é importante ter advogados com princípios cristão dentro da OAB, pois quando algo for solicitado, o advogado que tem seus princípios pautados no cristianismo, saberá se posicionar.

 

Como é o posicionamento da OAB em relação ao Cristianismo?

A abordagem da OAB em relação ao cristianismo é sempre cética. Essa entidade procura não abordar muito esses assuntos, até porque o estado de direito é considerado laico, ou seja, significa dizer que a República Federativa do Brasil não tem uma religião.

Mas, isso vem mudando aos poucos. Recentemente foi criada a Comissão de Direito de Liberdade Religiosa, presidida por um presbítero da Igreja Assembleia de Deus, tendo, em sua maioria, membros evangélicos, a qual o pastor Jonatas Queiroz e eu, fazemos parte.

Qual o principal objetivo da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB?

O principal objetivo da Comissão de Liberdade Religiosa é formar no cidadão goiano a cultura da tolerância com relação a liberdade religiosa.

A bíblia nos diz que não é por força e nem por imposição que conseguiremos as coisas, mas é importante que tenhamos a convicção que Jesus Cristo é o único Senhor e Salvador de nossas vidas.

É através do nosso exemplo de vida e do nosso caráter que convencemos as pessoas da verdade. Precisamos ser resilientes e aprender a conviver e respeitar as diferenças. Esse é o principal objetivo da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB: promover o Evangelho, respeitando as diferenças.

Que mensagem o senhor daria para os cristãos e estudantes de Direito da igreja?

A mensagem que deixo para os cristãos e estudantes de Direito é uma alerta: jamais negociem os seus princípios e valores cristãos, que é pautado pela honestidade, transparência e retidão.

Temos que ser o exemplo para a sociedade. Sabemos que a corrupção está em todos os lugares e profissões, mas é possível sim, ser um advogado cristão sem se corromper. Tem como sim, você ser próspero sem burlar ou mentir, obedecendo sempre a Palavra de Deus.

Portanto, não perca a oportunidade de ocupar o seu espaço enquanto cristão na sociedade, seja onde for, como advogado, médico, engenheiro, arquiteto, professor, não importa.

Martin Luther King diz que não é a ação dos homens maus que faz com que as coisas sejam ruins, e sim a omissão dos homens bons. Portanto, não podemos nos negligenciar, temos que nos dispor ao trabalho.

Essa é a motivação da minha pré-candidatura a vereador de Goiânia, pois acredito que temos que ocupar os espaços e fazer a diferença na vida das pessoas onde estivermos. Os cristão devem ser referência em nossa sociedade.

Ser cristão e um advogado: é possível?

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