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Expectativas: onde começa a sua ansiedade?

No começo de cada novo ano e até um pouco antes, não tem jeito, vem sempre a mente de todos, ou pelo menos da grande maioria, a expectativa sobre o que desejamos e queremos realizar. Alguns, de forma mais organizada, criam listas e planilhas relacionando as prioridades. Outros, de forma mais simples, apenas colocam em um rascunho de papel. Mas, de forma geral, algo mexe conosco nessa época do ano e nos faz desejar algo novo.

A verdade é que alimentar expectativas não faz parte só de certos momentos gerais da vida, como o início de um ano novo, a expectativa é inerente a vida, pois não vivemos e não fazemos nada sem criar expectativa, sejam elas grandes, pequenas, simples ou complexas de se atingir.

No dia em que escrevi este artigo, por exemplo, tive várias expectativas: de que ficasse pronto a tempo, dos leitores gostarem do conteúdo e de atingir o propósito. Nesse mesmo dia, um forte calor pela manhã me fez desejar, com grande expectativa, uma chuva pela tarde. Para a minha surpresa, à tarde, ao continuar escrevendo, vi pela janela um céu nublado e uma leve e tranquila chuva cair sobre a terra.

Criamos expectativas simplesmente quando acordamos, cumprimentamos alguém no elevador ou na rua, quando começamos a nossa vida escolar, quando começamos a formação em uma profissão, quando começamos em um novo emprego, quando conhecemos alguém, quando começamos a namorar, quando casamos, quando temos filhos e assim por toda a vida. Criamos expectativas em tudo o que sonhamos e lutamos para realizar, porque acreditamos que vale a pena. Tudo isso baseado em nosso aprendizado ao longo da vida, nos valores adquiridos, em nossas experiências, em nossa personalidade e no contexto que nos envolve.

Mas aprendemos também que apesar de valer a pena e de vermos realizadas muitas das nossas expectativas, acontecerá de outras tantas não serem realizadas, ou serem realizadas de forma parcial. E esse é o ponto delicado em que a expectativa pode se transformar em um sentimento de fracasso e decepção, fazendo com que futuras expectativas criadas se tornem um processo que leva a pessoa a um quadro de ansiedade.

Sabemos hoje pela neurociência, que nosso cérebro tem a função de aprender com as experiências que vivemos. Além disso, a interpretação que fazemos dessas experiências vividas podem adquirir uma conotação positiva ou negativa, que ao serem reforçadas por outras tantas experiências ao longo da vida, modulam nosso pensamento e, consequentemente, o nosso comportamento. Interpretações positivas reforçadas ao longo do tempo produzem expectativas boas e nos levam a uma vida saudável. Interpretações negativas reforçadas ao longo do tempo produzem expectativas ruins e nos levam a um processo de ansiedade. Por outro lado, se é realidade que não fazemos nada sem criar expectativa, é fato também que a realidade em que vivemos é dinâmica e cheias de variáveis, sobre a qual não temos total controle, de forma a garantir que nossas expectativas serão realizadas. Como, então, gerar expectativa sem que ela se transforme em ansiedade?

Entenda que entre a expectativa e a realização existe um caminho a ser percorrido.  Fazemos parte de uma geração fast food, tudo tem que ser rápido, imediato e instantâneo, pois quando desejamos algo, queremos naquele exato momento e de preferência sem muito esforço. Mas quando começa a demorar, quando precisamos lutar ou quando não é no tempo que queremos, então a ansiedade começa bater à porta. Entenda que conquistar algo que vale a pena sempre exigirá tempo, esforço e persistência, pois o valor da vitória não está no final, mas sim no caminho percorrido.

Entenda que expectativa não é fantasia: fantasiar e sonhar é algo muito importante, crianças fazem isso até acordadas, a ponto de viverem um mundo paralelo entre fantasia e realidade, mas aos poucos vão entendo que há diferença entre um e outro. Entretanto, muitas pessoas ao criarem expectativas, se baseiam em fantasia, como por exemplo, um lugar perfeito para morar, um amor perfeito ou um emprego perfeito. Não é preciso dizer que a realidade não é bem assim. Podemos e devemos querer superar uma realidade, mas tendo como base ela própria. Uma expectativa fantasiosa se contrapõe o tempo todo com a realidade e pode gerar ansiedade. Então, seja realista.

Entenda que a expectativa depende de você e não do outro. Quando desejamos a realização de algo que dependa de alguém, principalmente de uma pessoa próxima, isso quase sempre gera decepção e será um motivo de ansiedade, pois a expectativa foi gerada por você e não pelo outro, e ele não tem a obrigação de realizar aquilo que foi criado por você. Então, crie expectativas que dependam apenas de você.

Outra questão: ao criar expectativa, seja flexível. Durante o processo de realização de uma expectativa, pondere, esteja aberto a avaliar e faça ajustes necessários de acordo com as mudanças na realidade vivida. Manter-se engessado e não aceitar alterações só levará a tensão e a ansiedade. Ser flexível é não desistir, não perder o foco e criar alternativas para a vitória.

Que neste ano de 2019 possamos aprender a gerar boas expectativas para a nossa vida, pois ao contrário das más expectativas que geram ansiedade, expectativas saudáveis produzem esperança e fé.

Por fim, se temos que depender de alguém ao criar expectativas, que possamos depender somente de Deus, pois com dizem as Sagradas Escrituras: “De manhã ouve Senhor o meu pedido, de manhã apresento minha oração e aguardo com esperança”. (Salmos 5:3) e “Lançando sobre Deus todo vossa ansiedade, pois ele tem cuidado de nós”.  (I Pedro 5:7).

Deus abençoe a todos.

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