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Juntos, porém separados pela tecnologia

Certa vez, em um almoço de família, entrando na casa de minha sogra, ouvi ao longe, um silêncio impressionante. Ao entrar na sala, encontrei meus sobrinhos e filhas, todos sentados no sofá. Uma visão linda de unidade, porém todos, sem exceção, com um tablet ou smartphone nas mãos.

Foi uma sensação extremamente chocante pra mim, pois afinal, a concepção que sempre tive de infância ao reunir os primos, era de uma grande festa, uma diversidade de brincadeiras. Era carrinho de rolimã, queimada, esconde-esconde, bike, patins, futebol, horas e horas nos rios e piscinas, e por aí vai.

Pode até parecer saudosista, lembrar do meu passado de 20 a 30 anos atrás, tendo 36 hoje, porém não é!

Apesar de refletir sobre este artigo, o qual proponho cuidados com a tecnologia, posso afirmar que a minha vida é emergida nesse conhecimento.

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Pessoas juntas, porém em mundos distantes.

Tenho envolvimento com computadores e muitos outros eletrônicos, há muitos anos, mais da metade de minha vida dedicada à tecnologia, desde um computador 386 com 4Mb de memória e não 4Gb de memória de hoje, hd de 500 Mb e não 500 Gb, comum nos computadores de hoje.

Sou diretor há 14 anos da InoveLink, uma fábrica de software. Já atendi projetos tecnológicos em 5 países, e estive presente na sede do Google, Microsoft, Symantec. Passei pela Adobe, HP, Evernote, Facebook, e muitas outras empresas de tecnologia nos EUA.

Sou pastor há 10 anos por vocação e pela paixão que tenho em servir pessoas. Em minha convivência com o aconselhamento de casais, jovens e adolescentes, percebo o grande desafio que temos nesta geração que está recentemente migrando da Geração Z para a Geração Alpha, e cada vez mais mergulhados no mundo paralelo virtual.

Isto me fez refletir muito quando, na cena em família, tirei todos os equipamentos tecnológicos das crianças, e disse pra elas: “vão inventar algo pra vocês brincarem juntas”.

Com a expansão das redes sociais, que a cada dia surgem novas e, ao mesmo tempo, morrem algumas antigas, como o Orkut, que já se foi, temos ainda, as que mais prendem o tempo útil das pessoas, como: Facebook, WhatsApp, Instagram, Twitter, SnapChat, Skype, entre tantas outras existentes.

E realmente, essas redes sociais chegam a ser como um imã, extremamente atrativas. As pessoas ficam ansiosas para ver o post mais recente e a mensagem nova que chegou. Tudo isso é realmente algo viciante, tão viciante que as pessoas mudam de comportamento. Nunca houve tantos almoços frutados com panelas queimadas nos últimos anos da história da humanidade, nunca houve tantas crianças chorando por minutos, clamando às mães para fazer uma mamadeira, ou atender algum outro pedido. Há um clamor por atenção, um desespero por um olhar e um gesto de carinho.

Chegamos ao ponto de ir a um restaurante com amigos, e não se segurar sem ficar preso pelas novidades que não param de chegar no smartphone.

Porém, há algo importante que precisamos refletir aqui, e para isto, faço uma pergunta: o que estamos fazendo com os nossos relacionamentos enquanto dedicamos nosso tempo ao mundo virtual?

A pessoa que está com você presente, ela está aqui e agora! Preciosos momentos de tempo que você teria para dialogar, bater um bom papo, brincar e se divertir, este tempo está sendo lançado no lixo.

Quem está enviando uma mensagem do outro lado, quase sempre pode esperar. Você não tem obrigação de responder a todos em tempo real. Isto está virando mais uma obrigação, casoalguém veja a sua mensagem, mas não responde no mesmo momento. Há casos de pessoas que te cobram, como se você não tivesse nada mais a fazer nada vida!

Você precisa se valorizar e gerenciar melhor o seu tempo. As pessoas que estão presentes agora contigo, são mais importantes que as outras que não marcaram nenhum compromisso com você, ou não reservaram um espaço em sua agenda do dia! É preciso dar importância ao que realmente é importante pra você!

Tem pessoas que tem a indiscrição te de te ligar 1h da madrugada para bater papo, não é nada importante, só bate papo. Enquanto isso, você perde seu sono, atrapalha o sono de outros, e por fim, a insônia do indiscreto passa pra você.

Quantos casais sentam juntos no sofá e não se olham, não se tocam, e sempre há algum que cobra mais a atenção do outro, que espera que ele se desligue um pouco de suas conexões virtuais e venha para a real.

Porém, aí mora um dos maiores conflitos, pois chamar o outro provoca, pedir atenção irrita, chateia, já que o outro está focado e empolgado com o seu mundo virtual. A maioria das vezes, a resposta vem acompanhada da irritação, e quando se senta para dar atenção, as emoções já estão frustradas de ambos os lados. Não há como ter mais diálogo, as falhas na comunicação já interromperam as vias do bom humor, do carinho, do afeto, da atenção e muito mais.

Estas brechas abertas são motivos sutis de muitas brigas e discussões, do esfriamento do amor, de separações que se dão em divórcios, de processos de ansiedade, angústias profundas e até depressão.

A vida profissional também deverá ser conduzida com os mesmos princípios. É preciso ter horário e disciplina para saber usar de forma adequada, de ler seus e-mails, de verificar suas mensagens no smartphone para responder, é preciso separar o importante do urgente, pois o importante é mais relevante que o urgente. Até o urgente pode esperar quando o importante se torna indispensável.

Uma vida produtiva e feliz, poderá iniciar pra você, quando o seu tempo for melhor valorizado e suas prioridades forem melhor estabelecidas. Assim, você terá mais paz em sua mente, maior controle emocional, um gerenciamento do seu foco, e melhores resultados para sua vida.

O sucesso do seu futuro pessoal, do seu casamento, de seus filhos, do seu relacionamento com Deus, dependem de suas melhores escolhas hoje! Sei que no início será difícil, mas você precisa APRENDER A DIZER NÃO!

Use melhor todos os recursos tecnológicos disponíveis em seu dia-a-dia, de forma que eles não distanciem você de um dos seus bens mais preciosos, que é a sua família.

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